Demografia médica enfatiza má distribuição de profissionais pelo País

Pesquisa mostra que número de médicos cresce, mas há um déficit na demografia

20 Mar, 2018

           Pesquisa Demografia Médica 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) mostra que em menos de cinco décadas o total de médicos aumentou em 665,8%, em um ritmo três vezes maior que o crescimento da  população de brasileiros.

          A pesquisa feita com o apoio institucional do Conselho Federal de Medicina (CFM) e o do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, divulgada nesta terça-feira (20), em entrevista coletiva realizada em Brasilia, enfatiza que esse rápido aumento não se traduziu em uma distribuição mais igualitária de profissionais pelo País.

          O documento mostra, também, que quatro especialidades (38,4%) concentram a maioria dos especialistas, com titulo de especialista. Clinica Médica, com 11,2 % lidera o rol das especialidades, seguida da Pediatria,  com  10,3%, e na sequencia,  Cirurgia Geral, 8,9%, e Ginecologia e Obstetrícia tem 8% dos titulados. A Radiologia e Diagnóstico por imagem tem 3,2% de titulados, com forte tendência de crescimento.

Os números absolutos, mostram que, em janeiro de 2018, com 452.801 médicos em atividade, o Brasil ainda sofre com a escassez desses profissionais em muitas regiões do País. O Sudeste é a região com maior numero de médicos por 1.000 habitantes (2,81) contra 1,16, no Norte, e 1,41, no Nordeste. Somente o estado de São Paulo concentra 21,7% da população e 28% do total de médicos do País. Por sua vez, o Distrito Federal tem a razão mais alta, com 4,35 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 3,55.

No Norte e Nordeste, o Maranhão mantém a menor razão entre as unidades federativas, com 0,87 médico por mil habitantes, seguido pelo Pará, com razão de 0,97. Apenas o estado do Tocantins tem mais médicos no interior do que na capital (56,8% contra 43,2%). No extremo oposto está o Amazonas, onde 93,1% dos médicos se encontram na capital, Manaus, que, por sua vez, abriga pouco mais da metade dos cerca de 4 milhões de habitantes do estado.

Para o presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, “a atualização constante da Demografia Médica nos fornece insumos na busca de soluções para as questões da medicina, do médico e da saúde no Brasil, com base em análise de fatos e dados, e não puramente em ideologias”. A edição 2018 desse documento consolida o entendimento de que não há falta de médicos no país. “Não precisamos de médicos importados, precisamos de carreira médica de Estado e de condições de trabalho nas mais diversas localidades”, defendeu Ferreira, durante a coletiva.

            “Há uma desproporção gritante entre as unidades da federação e entre as regiões: 39 cidades com mais de 500 mil habitantes concentram 60% dos médicos, enquanto os 40% estão distribuídos no país para atender o restante da população”, pontuou o presidente do CFM, Carlos Vital, que diante do quadro apresentou propostas para uma melhor distribuição dos médicos. “Um ponto fulcral é a criação de uma carreira de Estado para o médico e demais profissionais de saúde, que dê segurança jurídica, permita a educação continuada, ofereça condições de trabalho e valorize o trabalho do profissional para que ele se fixe nas cidades do interior”, defendeu Vital.

 Para o dr. Lavinio Camarim, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, entidade responsável pela pesquisa, “Dentre os principais problemas, está a precariedade dos vínculos de emprego, a falta de acesso a programas de educação continuada, a ausência de um plano de carreira (com previsão de mobilidade) e inexistência de condições de trabalho e de atendimento, com repercussão negativa sobre diagnósticos e tratamentos, deixando médicos e pacientes em situação vulnerável”, afirma.  

 

Fonte: assessoria de imprensa Cremesp

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