Especialista aponta subutilização da medicina nuclear no Brasil

Restrições são maiores na população atendida pelo SUS

20 Dez, 2016

A medicina nuclear é uma especialidade médica das que mais crescem no mundo, mas no Brasil segue subutilizada, conforme analisa o médico nuclear e diretor do serviço especializado MND Campinas, Celso Dario Ramos. “A medicina nuclear ainda enfrenta muitos desafios para a expansão no Brasil. O número de especialistas, por exemplo, não ultrapassa 700 médicos, sendo que mais da metade se concentra no Sudeste, 55% do total, enquanto o Nordeste conta com 20%, o Norte com 15% e o Centro-Oeste com 10%”, afirma.

Celso Ramos ressalta que, quando comparado o potencial de uso a outros países, o Brasil ocupa atualmente apenas a 25ª posição no ranking de quantidade de exames, realizando 2,5 exames por mil habitantes/ano. O Canadá, por sua vez, executa 64,6. Segundo o especialista, a subutilização é ainda mais sentida pela população brasileira que utiliza o SUS.

“Existe uma grande assimetria entre o uso nos planos de saúde e no sistema público. Enquanto os pacientes que utilizam a saúde suplementar têm mais acesso, os que não têm recursos recorrem ao SUS. Um exemplo disso é o PET/CT, um dos principais avanços da medicina nuclear, utilizado em especialidades como neurologia, cardiologia, oncologia e endocrinologia”, aponta.

Atualmente, os planos de saúde possuem a indicação para o exame PET, prevista em portaria, para oito casos: detecção de nódulo pulmonar solitário, câncer de mama metastático, câncer de cabeça e pescoço, melanoma, câncer de esôfago, tumor pulmonar para células não pequenas, linfoma e câncer colorretal. Na saúde pública, no entanto, apenas três indicações são ressarcidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS): câncer de pulmão de células não pequenas, câncer colorretal com metástase exclusivamente hepática com potencial ressecável e linfomas de Hodgkin e não Hodgkin.

O médico destaca que muitas indicações importantes estão de fora. “A lista não foi estendida para câncer de tireoide, colo do útero, testículo e ovário, entre outros. A utilização nesses casos já é prática comum em diversos países em todo o mundo, como no Uruguai”. Ele defende a necessidade de que a lista de indicações seja ampliada para que parcelas maiores da população possam ter acesso aos diagnósticos e tratamentos oferecidos pela medicina nuclear.

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