Zika Virus e Microcefalia não podem sair da pauta

A emergência nacional passou, mas deixou sequelas

12 Mar, 2018

Dois anos depois do surto do Zika vírus e da Microcefalia, a emergência nacional passou, mas deixou sequelas. Os casos até há pouco classificados como “incomuns ou inesperados”  já contam com algum conhecimento científico para serem combatidos, e mais recente Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostrou que, em 2017, ainda foram confirmados 235 casos de recém nascidos e crianças com microcefalia e alterações no desenvolvimento relacionados à enfermidade. Número muito menor em relação aos 1.869 casos de 2016 e aos 967 casos de 2015, mas, que ainda preocupam.

O jornal ID Interação Diagnóstica vem acompanhando estudos sobre o Zika vírus e a Microcefalia em diversas edições, com ênfase no papel da imagem no diagnóstico e no acompanhamento. 

A pesquisadora da Fundação Osvaldo Cruz em Pernambuco, dra. Celina Turchi, responsável em 2015 por formar uma rede de pesquisadores de diversas especialidades reunidos no Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia – MERG, que em apenas três meses conseguiu identificar como o Zika vírus e a Microcefalia estavam relacionados, acaba de ser laureada pela Fundação Péter Murányl, e seu trabalho reconhecido pela comunidade cientifica. Esse estudo acompanhou a gestação de mulheres atendidas em oito maternidades públicas do Recife. Durante o período, 32 recém-nascidos foram diagnosticados com microcefalia. Testes laboratoriais apontaram a presença de infecção por Zika vírus em 13 deles.

Os resultados apontados pelo grupo de estudos permitiram que fossem criadas medidas de combate ao mosquito transmissor do Zika vírus por parte do poder público, como a distribuição de repelentes para grávidas moradoras de áreas de risco para a doença e o acompanhamento das crianças portadoras de microcefalia. Bem como, auxiliou na análise clínica das infecções.

Em entrevista  ao jornal El Pais, destacou a dra Celina Turchi: “É uma doença que gerou intensa comoção social e isso evidencia a gravidade desses eventos ligados à saúde reprodutiva da mulher, o desconhecimento sobre a causa e transmissão da infecção e dos possíveis fatores de risco expostos. Podemos dizer que esse estudo, realizado por pesquisadores brasileiros, moveu a fronteira do conhecimento científico e, hoje, é referência nos guias de manejo da síndrome do Ministério da Saúde e também é utilizado como fonte de orientação para pesquisadores de todo o mundo”. 

O trabalho coordenado pela pesquisadora é o vencedor da 17ª edição do Prêmio Péter Murányi, que será entregue em abril. A premiação é realizada anualmente, com temas que se alternam a cada edição: Saúde, Ciência & Tecnologia, Alimentação e Educação. De acordo com Vera Murányi Kiss, presidente da Fundação Péter Murányi, entidade organizadora da premiação, estudos como esse mostram a importância do trabalho dos pesquisadores brasileiros para preservar o futuro das próximas gerações. Para a edição de 2018, mais de 225 trabalhos foram inscritos. 

          Além do prêmio, a médica epidemiologista Celina Turchi, está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo eleitas em 2017 pela revista norte-americana Time. A cientista brasileira foi a responsável por formar uma rede internacional, com cerca de 30 profissionais de diversas especialidades e instituições, reunidos no Microcephaly Epidemic Research Group (Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia), que conseguiu, em apenas três meses, identificar como o vírus Zika e a Microcefalia estavam associados - os estudos começaram em janeiro de 2016, e, em abril, eram fortes os indícios dessa relação.

As doenças transmitidas por insetos vetores (como Zika, Dengue, Chikungunya e Febre amarela) continuam no topo da lista de prioridades da saúde pública. Mas o aparente controle sobre a situação mantém Celina Turchi em alerta. “Nossa preocupação é que as pessoas se sintam seguras e achem que não vai ocorrer mais”, afirma. 

(Fonte: Assessoria Fundação Péter Murányi e EL Páis)

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