Inteligência Artificial é tema de Congresso no Einstein

O V Congresso Internacional de Diagnóstico por Imagem abordou o futuro inovador da Radiologia

28 Ago, 2018

A inteligência artificial e seus impactos na prática radiológica foi o tema condutor das discussões do V Congresso Internacional de Diagnóstico por Imagem (CIDI) do Hospital Israelita Albert Einstein.

Na abertura do evento, o Dr. Sidney Klayner, presidente do HIAE, deu o tom das apresentações ao afirmar que todas as áreas da medicina devem acompanhar as mudanças proporcionadas pelas inovações digitais. Embora as evoluções ainda estejam em curso, segundo ele, o uso da inteligência artificial (IA) pode auxiliar médicos na assertividade dos diagnósticos e no cuidado ainda maior com os pacientes.

“A Radiologia é uma área que transita fortemente entre as áreas de assistência médica, pesquisa e ensino, e quem não se atentar às transformações digitais ficará para trás. Logo a inteligência artificial estará presente em todas essas áreas, mas não podemos delegar nossa posição e missão a uma máquina sem análise ou supervisão. Isso faz com que o radiologista seja sempre fundamental em toda essa equação”, afirmou Klayner.

A sessão plenária contou com três palestras a respeito da IA e sua relação com a radiologia e com a computação visual. Na primeira apresentação, Dr. Marcelo de Maria Félix, diretor da área de Tecnologia da Sociedade Paulista de Radiologia, abordou o conceito de IA e os motivos pelos quais está em voga no momento. A partir de uma linha do tempo iniciada nos anos 1950 com os estudos de Alan Turing, Félix destacou as evoluções de machine learning (aprendizagem de máquinas), a realidade da inteligência artificial narrow e seu impacto efetivo na radiologia e no diagnóstico por imagem.

Em seguida, Dr. Edson Amaro Jr., gerente de Big Data do HIAE, apresentou estudos sobre o sistema nervoso central e o uso da computação visual para a identificação e o entendimento das redes neurais e, consequentemente, das tomadas de decisões. Por fim, Dr. Felipe Barjud Pereira do Nascimento, coordenador da Informática Radiológica do HIAE e membro da equipe de transformação digital do hospital, propôs um panorama geral sobre a IA na radiologia atualmente e para os próximos anos.

Segundo Barjud, é fundamental questionar e refletir a respeito da interpretação de resultados gerados por máquinas de IA, da privacidade dos dados dos pacientes e dos custos relacionados à utilização dessas máquinas, uma vez que os hospitais continuarão necessitando de radiologistas para validarem os resultados.

O futuro em projeção

Comandado pelo Dr. Ronaldo Hueb Baroni, coordenador médico do Departamento de Imagem do HIAE e coordenador geral do Congresso, o painel de debates que fechou a manhã do dia 24 explorou o futuro da radiologia. Diante das possíveis mudanças proporcionadas pelas tecnologias digitais, os participantes responderam a perguntas da plateia e discutiram sobre temas como a prática clínica radiológica, a legislação sobre dados e a gestão de clínicas de imagem.

Ao lado de Baroni, participaram do painel os palestrantes Dr. Edson Amaro Jr. e Dr. Marcelo de Maria Félix, Dr. Marcelo Buarque de Gusmão Funari, coordenador do Departamento de Imagem do HIAE, e José Claudio Cyrineu Terra, diretor de Inovação e Gestão do Conhecimento do HIAE. Funari ressaltou que a radiologia é um ramo vivo e já passou por diversas transformações, saindo dos “porões dos hospitais” e alcançando um espaço nobre no diagnóstico diário de doenças graves. Assim, os radiologistas aprenderão a adaptar a prática clínica a partir das inovações da IA.

Para Terra, como business, o tema abre inúmeros caminhos para a profissão, para gestores da área e para novos modelos de negócio, porém, é essencial que os profissionais estejam atentos às movimentações pelo país. A respeito da legislação de dados, Amaro Jr. reforçou que há aspectos éticos e bioéticos que não podem ser ignorados e que podem influenciar até mesmo na formação dos profissionais, especialmente em vista que algoritmos são passíveis de erros.

Félix, por sua vez, destacou que a gestão de departamentos de imagem frente a uma realidade de dados exige que os players encontrem oportunidades específicas que os levem à liderança em suas respectivas áreas de atuação, uma vez que a IA se mostra como uma ferramenta competitiva.

O evento, realizado nos dias 24 e 25 de agosto, aconteceu simultaneamente ao IX Simpósio de Ressonância Magnética, e contou com a presença de profissionais da área médica, TI, acadêmicos e gestores de todo o país.

IX Simpósio de RM

A segurança em ressonância magnética (RM) liderou as palestras apresentadas no IX Simpósio de Ressonância Magnética do HIAE. Coordenador do simpósio, Dr. Ronaldo Baroni apresentou duas aulas sobre os paradigmas em RM no HIAE e o mercado de contrastes em 2018.

Na primeira, Baroni explorou dados sobre qualidade, ensino e pesquisa no setor de RM realizado pelo hospital, as mudanças que trouxeram mais horários para o atendimento dos pacientes e, sobretudo, ajudaram na obtenção mais ágil de diagnósticos. Em sua segunda aula, ele atualizou a política e a administração de contrastes em RM no ano atual, uma vez que há estudos a respeito do gadolínio que têm interessado à comunidade médica.

A biomédica e coordenadora de Ressonância Magnética do HIAE, Elaine Gonçalves Guerra, falou sobre a implementação e administração dos projetos Nuvem, voltado para a substituição dos exames físicos por imagens via web, e 3D Lab do HIAE, laboratório de pós-processamento de imagens 3D. Já o médico anestesiologista do HIAE, Dr. Ayrton Bentes Teixeira, abordou as particularidades, parâmetros e procedimentos dos exames de ressonância magnética realizados com anestesia.

Texto: Angela Miguel/Foto: Eve Almeida 

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