Adesivo para tratamento de Alzheimer chega a pacientes do SUS

Governo assina primeiro pedido da rivastigmina para a doença que atinge cerca de 47 milhões de pessoas

19 Jun, 2018

O Ministério da Saúde assinou o primeiro contrato para a compra de rivastigmina - adesivo transdérmico para o tratamento do Alzheimer -, maior responsável por casos de demências e uma das dez doenças que mais causam mortes no Brasil. 

 

Com mecanismo de ação transdérmica, o patch libera a medicação no organismo ao longo do dia e, por não ter absorção no estômago, gera menos efeitos colaterais para o sistema digestivo¹׳². A disponibilização a pacientes do sistema público será feita nas apresentações de 5cm e 10cm. 

 

A rivastigmina é um inibidor da colinesterase, classe de medicamentos que inibe a degradação da acetilcolina, um neurotransmissor relacionado à memória. Além da melhora da cognição, há também ação sobre os sintomas comportamentais e alterações funcionais da doença.

 

Este adesivo proporciona maior praticidade ao cuidador, por conta da facilidade de manuseio e da garantia de que o paciente realmente recebeu a dose diária correta. Isso porque, por se tratar de uma doença que incide principalmente em idosos, os comprimidos, muitas vezes, são perdidos antes de serem levados à boca ou não são engolidos pelo paciente.

 

O medicamento já estava disponível em cápsulas e solução oral, mas o patch, que tem vantagens como menor impacto sobre o sistema gastrointestinal, ainda não estava incluído. Além dele, o sistema oferece gratuitamente outros dois medicamentos para o tratamento de Alzheimer: a donepezila e a galantamina.

Espera-se que todo paciente com recomendação e prescrição médica para usar o adesivo tenha acesso a ele pelo SUS. Segundo a Conitec, o novo medicamento está recomendado para pessoas com Alzheimer leve a moderadamente grave.

Como adquirir o remédio pelo SUS

1) O familiar responsável pela pessoa com Alzheimer deve levar o doente ao médico no SUS para fazer uma consulta;

2) Na consulta, o familiar responsável pode solicitar que a pessoa com Alzheimer utilize o adesivo;

3) O familiar e o médico irão conversar e ver se é o melhor tratamento para essa pessoa, e se for, o médico irá prescrever a medicação;

4) Com esse laudo a pessoa deve ir até uma farmácia popular e solicitar o medicamento.

 

Causas e sintomas

 

Segundo a OMS, apesar de ser uma doença que incide principalmente sobre pessoas idosas, o aparecimento de sintomas antes dos 65 anos de idade representa cerca de 9% dos casos. A doença está associada ao aparecimento anormal de placas senis no cérebro, decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide.  Além disso, está relacionada a emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau.

 

No início, os sinais da doença podem ser sutis, mas são agravados com o tempo. Entre os principais sintomas estão a dificuldade de memória (especialmente de acontecimentos recentes), discurso vago durante as conversações, demora em atividades rotineiras, esquecimento de pessoas e lugares conhecidos, deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional.


Tratamento precoce

 

A Doença de Alzheimer não possui cura. No entanto, se diagnosticada no início, o tratamento adequado ajuda a impedir o avanço da doença e amenizar seus sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente. Além disso, atividades cognitivas, sociais e físicas beneficiam a manutenção de habilidades mentais e favorecem sua funcionalidade.

 

No Brasil, algumas associações ajudam no suporte a pacientes, familiares e cuidadores, como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), a Associação Maior Apoio ao Doente de Alzheimer (AMADA),o Instituto Alzheimer Brasil e a Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer (Apaz).

 

De acordo com a Constituição Federal, o sistema público de saúde deve fornecer o acesso gratuito ao tratamento completo para a doença, envolvendo a medicação indicada. Para isso, o paciente deverá procurar seu médico para orientá-lo no processo de obtenção do medicamento. De acordo com o Protocolo Clínico de Diretriz de Tratamento³ (PCDT) do Ministério da Saúde, geriatras, neurologistas, psiquiatras ou qualquer médico especialista no tratamento de demências podem prescrever medicações para o tratamento de Alzheimer.

 

Impacto da doença

 

No mundo, estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência e, a cada ano, cerca de 10 milhões de novos casos são registrados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a DA é responsável por 60% a 70% dos casos de demência, representando perda de qualidade de vida para os pacientes e familiares.

 

No Brasil, a doença impacta a vida de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas. E a tendência é de que o cenário seja ainda mais desafiador. Isso porque, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população idosa no país deve triplicar até 2050, acarretando o aumento de casos de Alzheimer.

 

Referências:

1 - Bula do produto Exelon® Patch (rivastigmina) adesivo transdérmico (aprovado pela ANVISA em 26/02/2018):

http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?pNuTransacao=23574372016&pIdAnexo=3933177.

 

2 - Winblad B et al. IDEAL: a 6-month, double-blind, placebo-controlled study of the first skin patch for Alzheimer disease. Neurology. 2007 Jul 24;69(4 Suppl 1):S14-22.3-Adaptado de: Gauthier S et al. EXACT: rivastigmine improves the high prevalence of attention deficits and mood and behaviour symptoms in Alzheimer’s disease.

 

3 - Protocolo Clínico de Diretrizes terapêuticas Doença de Alzheimer: http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2017/Recomendacao/Portaria_Conjunta_13_PCDT_Alzheimer_28_11_2017.pdf


Fonte: AI/Novartis

Imagem: https://maldeallzheimer.wordpress.com/2013/06/30/neuroimaging-na-doenca-de-alzheimer-papel-atual-na-pratica-clinica-e-futuras-potenciais-aplicacoes/

 

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