Especialistas apresentam plataforma que pode auxiliar a notificação do câncer de pulmão no Brasil

A plataforma ProPulmão visa integrar informações de médicos e pacientes por meio da inteligência artificial e auxiliar no diagnóstico precoce da doença.

03 Jul, 2018

Especialistas apresentaram uma nova plataforma - ProPulmão - que visa integrar informações de médicos e pacientes e auxiliar no diagnóstico precoce do câncer de pulmão, em evento realizado nos dias 29 e 30, em Campinas. Os médicos que atuam no Brasil e no exterior se uniram para debater o uso da tecnologia na prevenção de doenças pulmonares, viabilizando a integração das informações entre os médicos que atuam na área da saúde respiratória.

De acordo com o seu idealizador, o Dr. Ricardo Sales, explica que a plataforma foi criada para auxiliar o diagnóstico por meio da inteligência artificial e conectar diversas especialidades médicas. "O nosso objetivo inicial deve ser criar redes colaborativas para montarmos o conceito de maneira adequada”, adianta Sales, complementando que "em casos confirmados de câncer de pulmão, a plataforma logo estará conectada aos serviços oficiais designados para a tarefa do registro compulsório da doença.”

"Nós sabemos que em algumas cidades não estão disponíveis todas as especialidades médicas, o que provoca uma migração dos pacientes para os centros urbanos em busca do diagnóstico. A Propulmão, associada ao sistema de telemedicina, permitirá que o médico encaminhe os exames para avaliação de um especialista da rede, o que deve diminuir o tempo entre a consulta e o tratamento, além de propiciar mais conforto às pessoas”, conclui Sales.

O projeto piloto conta com um sistema simples de “cliques” em que o médico pode colocar as informações colhidas durante a consulta, e que poderão ser acessadas por outros especialistas, quando forem atender em outra localidade ou hospital; isso é claro após autorização do paciente ou seu responsável legal.  Rapidamente os médicos podem verificar os dados sobre o quadro clínico do paciente, contribuir com notificações, estudos da doença e identificar mais adequadamente os riscos. 

Para os especialistas presentes no workshop, o maior desafio dos profissionais é criar uma linguagem única, que pode unir e otimizar as equipes de radiologia, clínica, patologia e cirurgiões. Temas como a subnotificação brasileira de neoplasias malignas no sistema respiratório, diminuição dos agravos na investigação do nódulo pulmonar, otimização da jornada oncológica e melhora do fluxo de encaminhamento dos pacientes também foram debatidos ao longo dos dois dias intenso de debates. 

A médica americana Claudia Henschke, pioneira na identificação precoce do câncer de pulmão, destacou a modernidade do instrumento desenvolvido no Brasil, e manifestou o desejo de trazer um encontro mundial sobre rastreamento do câncer de pulmão (I-ELCAP) no ano de 2019. Ela falou também sobre a prevenção primária da doença associada ao rastreamento, combatendo o tabagismo. O encontro contou com diversas mesas de debates, palestras de profissionais dos principais hospitais e associações do Brasil, além de uma programação especial focada no combate ao tabagismo, com a presença da Associação de controle do tabagismo, promoção da saúde e profissionais dedicados ao tema.

O evento tem apoio institucional do hospital Albert Einstein. Em 2018, o hospital deve realizar cerca de cem mil atendimentos à distância em vários setores da telemedicina. A expectativa da equipe Propulmão é gerar uma nova linha de cuidados à distância.

Inicio do projeto
O câncer de pulmão é a neoplasia de maior letalidade no mundo. No Brasil, estima-se a ocorrência de mais de 28 mil novos casos a cada ano. Lamentavelmente, mais de 90% dos pacientes são diagnosticados na fase avançada da doença, em que a cura é menos provável, e como consequência mais de 65% das pessoas diagnosticadas morrem em menos de um ano.

Diante do fato de que os fatores de risco da população norte-americana e brasileira são semelhantes em relação ao câncer de pulmão e já ponderando a diferença populacional (200 milhões de brasileiros e 250 milhões de norte-americanos) é preocupante constatar que o número de diagnósticos no Brasil é de apenas 16% se comparado aos americanos. Milhares de brasileiros ficam sujeitos a lutar contra uma das mais graves e degradantes doenças da atualidade sem qualquer diagnóstico ou com diagnósticos tardios.

Para diminuir estes índices e focar na prevenção, em 2013 o grupo de especialistas avaliou 790 pessoas consideradas do grupo de risco – entre 55 e 74 anos que fumam ou fumaram pelo menos um maço por dia – por meio da tomografia de baixa dosagem. A ação permitiu identificar pela primeira vez na América Latina o câncer de pulmão precoce, utilizando-se um programa estruturado com esse fim.

De acordo com pesquisa da Fundação FioCruz, publicada em 2017, até 2030 devem ocorrer no mundo 27 milhões de casos de câncer e 12,6 milhões de mortes pela doença, das quais 2,4 milhões por tumores em traqueia, brônquios e pulmão.

ProPulmão

É uma iniciativa de médicos e profissionais da saúde que tem como missão prevenir e diagnosticar precocemente o câncer de pulmão por meio de ações de educação, conscientização e discussão sobre os cuidados necessários para o pulmão, com a tecnologia digital aliada aos médicos.  Nesta etapa, os especialistas buscam ampliar o protocolo de rastreamento, testado com sucesso no Brasil em 2016.

A equipe é coordenada pelo médico Ricardo Sales dos Santos, cirurgião torácico do hospital Albert Einstein, e composta por mais de 40 especialistas que atuam nos principais centros médicos do país, na área da medicina respiratória clínica e cirúrgica.

A plataforma

Profissionais da rede iTórax, em parceria com a GE Healthcare e as startups Mindify e EpHealth, apresentaram o projeto piloto que busca integrar informações dos pacientes, laboratórios, médicos e centros de referência em uma única plataforma. O software ePro360, por meio de inteligência artificial e telemedicina, também emite sugestões de diagnóstico e conduta, baseados nas informações coletadas de forma estruturada.

Fonte: AI/Rede iTórax 

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